sábado, novembro 24, 2007

Poema rupestre

Sozinha

Sou amante da tristeza
Cortejo a depressão
Viciada em sentimentos de auto-negação
Desejosa de aniquilar o sorriso
Escrava da introspecção

Quando não temos mais aquilo que sonhávamos
É sinal explícito de que acordamos na hora errada
O mundo não está pronto para entender
Aquilo que o mundo não está disposto a amar

Quando o poder das palavras transcende os sentimentos
E voa como flecha penetrante aos corações feridos
E, sangra, sangra
Hemorragia de tristeza e pranto

A noite torna-se vazia e desencantada
Não há mais o que esperar
A existência é mero tropeço e desvio
É insatisfeito suspiro
Vela acesa frente ao holofote
Somente a fumaça a demonstra
Fumaça que existe quando a chama se apaga

Às vezes, quem dera sempre, sentir-se bem
Saber que aquilo que parece
Apenas transparece o que não é

Como impedir de continuar
O ritmo frenético dos acontecimentos?
Um descarrilhar de morte
Sangra, sangra
Hemorragia de saudade.

Perdoar-se a si mesma
As dores provocadas à quem, já ferido
Morria, desfalecia, de inquietação e suspeita
Crueldade da menina inconstante e febril!
Doente de si mesma.

Se pudesse, não retrocederia
Avançava sem futuro algum.
O tempo é só uma peça mal-pregada,
Humor sátiro, coisa sem graça.

Aquela que rejeita ser amada não tem paz!
Sangra, sangra de solidão.
O vazio de saber que a "utopia" de preencher-se já não é.

Perdoem-me os que me amam,
Amem-me os que não precisam perdoar-me.

Sentimento vazio em meio a tantos.
Não há nomes, nao há rostos
Só fumaça!

As lágrimas evaporam pois o rosto esta em chamas
E o coração em pedra se congela
Dor de rejeição,
A dor de auto-rejeitar-se.

23:33h - 03 de novembro
Ora, que data mais estranha prum lamento!
Ora, e lá terá lamento hora agradável e produtiva?

Não há tempo, só relógio.
E ele avança e lá se vai,
Se vem, se vão
E, ela se vai e esvai...

E sangra, sangra,
Sangra sempre
Continuamente a olhar pra trás indecente,
Um futuro, jamais!

23:39h 03/11/07

Nenhum comentário: